A CRUELDADE DO TRABALHO ESCRAVO CONTEMPORÂNEO PELA AUSÊNCIA DE ACEITAÇÃO DO OUTRO

Autores

  • Suzéte da Silva REIS Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Santa Cruz do Sul/RS http://orcid.org/0000-0001-8820-6385
  • Gustavo JAQUES Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Santa Cruz do Sul/RS

DOI:

https://doi.org/10.21207/1983.4225.1229

Resumo

O presente estudo se destina à pesquisa do retorno da ética (e da aceitação do Outro) com a superação da soberana crueldade como uma premissa para erradicação do trabalho escravo contemporâneo. Atualmente, há novas formas de escravidão, não necessariamente vinculada à restrição física da liberdade. Assim, justifica-se a pesquisa, pois a importância do combate ao trabalho escravo é elementar para dignidade do ser humano, com reflexos em toda a sociedade. O enfoque geral é a erradicação do trabalho escravo. Em específico, objetiva-se analisar a aceitação do Outro e de si próprio, de forma a contextualizar o retorno da ética com a superação da crueldade como elemento essencial para uma visão social mais coerente com um trabalho digno. Para responder ao problema de pesquisa: o retorno da ética com a aceitação do Outro é elemento para a superação da crueldade do trabalho escravo?, utilizou-se o método de abordagem dedutivo e de procedimento monográfico, bem como a técnica de pesquisa bibliográfica, a qual envolveu o levantamento e análise da literatura especializada. Os resultados alcançados indicam que é necessário revisitar os alicerces do combate ao trabalho escravo, impregnando-os de um projeto contemporâneo consistente para que se retorne uma visão ética com a aceitação do Outro e se supere a crueldade.

Biografia do Autor

Suzéte da Silva REIS, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Santa Cruz do Sul/RS

Doutora em Direito (Área de concentração: Direitos Sociais e Políticas Públicas) pela Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC. Mestre em Direito, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), UNISC. Professora do Programa de Pós-Graduação – Mestrado – em Direito e do Curso de Graduação em Direito da UNISC. Professora de Cursos de Especialização Latu Sensu em diversas instituições de ensino superior. Coordenadora do Grupo de Estudos “Relações de trabalho na contemporaneidade”. Licenciada em Pedagogia pelas Faculdades Integradas de Santa Cruz do Sul (FISC).

Gustavo JAQUES, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Santa Cruz do Sul/RS

Doutorando em Direito na Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC. Doutorando em Filosofia na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS. Mestre em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC (área de concentração: Direito Sociais e Políticas Públicas, 2020). Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS (área de concentração: Fundamentos Constitucionais do Direito Público e Privado, 2008). Juiz do Trabalho e Parecerista da Revista da Escola Judicial (TRT da 4ª Região). Email: gustaques@uol.com.br. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1000-2256. Lattes: http://lattes.cnpq.br/6572810190761001.

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Publicado

2021-10-04

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Artigos