A FILOSOFIA DO DIREITO – ISSO SERVE, EM PRIMEIRO LUGAR, PARA FAZER A GUERRA

Autores

  • Philippe Oliveira de ALMEIDA Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro/RJ
  • Michael Guedes da ROCHA Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro/RJ https://orcid.org/0000-0001-8515-1120

DOI:

https://doi.org/10.21207/1983.4225.1210

Palavras-chave:

Filosofia do Direito, crítica, eurocentrismo, epistemologia

Resumo

Nesta investigação responderemos se é correto atribuir à Filosofia do Direito ensinada no Brasil o viés crítico e capacidade de trazer mudanças (o que chamamos de “fazer a guerra”), como costumeiramente ocorre. Tal resposta partirá da análise do plano de ensino de Filosofia do Direito de 25 instituições brasileiras de ensino superior em paralelo a três perguntas anexas à central de poder a Filosofia do Direito do Brasil “fazer a guerra”. Perpassando-se, em meio a isso, por questões como eurocentrismo, centralidade do ocidente, prática jurídica e epistemologia jurídica.

Biografia do Autor

Philippe Oliveira de ALMEIDA, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro/RJ

Pós-doutorado pelo Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Santa Catarina e pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Doutor em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Mestre e Bacharel em Direito pela mesma instituição. Bacharel em Filosofia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia. Professor adjunto de Filosofia do Direito na Faculdade Nacional de Direito (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Atua nos campos da Filosofia do Estado, da Teoria Geral do Estado, da Filosofia do Direito e da Teoria Geral do Direito. Foi professor substituto na UFMG. Atualmente, vem pesquisando a gênese e o desenvolvimento das teorias críticas do Direito "pós-modernas" (como os Critical Legal Studies e a Critical Race Theory), bem como a interlocução destas com o pensamento utópico (à luz de autores como Karl Mannheim, Ernst Bloch e Paulo Ferreira da Cunha). A articulação entre Estado moderno, soberania e colonialidade também ocupa espaço privilegiado em seus estudos. 

Michael Guedes da ROCHA, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro/RJ

Bacharel em Direito pela UFRJ. Advogado (OAB-RJ). Pesquisador dedicado à Filosofia do Direito.

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2021-10-04

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Artigos